Dona Cláudia fundou uma escola de educação infantil em Belo Horizonte há 15 anos. Começou com 20 alunos na garagem de casa. Hoje tem 120 crianças, 14 funcionárias, um prédio alugado de 400m² e alvará da prefeitura em dia.
Fatura R$88 mil por mês — R$1,056 milhão por ano. Mensalidade média de R$735. Lista de espera de 30 famílias. Parece um negócio sólido. E é. Mas a avaliação trouxe surpresas.
O fator sazonalidade
Resultado de R$168k por ano — R$14k por mês. Mas esse número esconde uma verdade: janeiro e fevereiro o faturamento cai 40% (férias) enquanto a folha permanece a mesma. Na prática, a escola opera no vermelho por dois meses e recupera no resto do ano.
Em educação, a sazonalidade é o calcanhar de Aquiles. O comprador sabe que precisa de capital de giro para aguentar a baixa temporada. Isso entra no cálculo — e não a favor do vendedor.
EBITDA ajustado: R$168k + pró-labore excedente (R$48k) = R$216.000. Múltiplo: 4,5x (educação, lista de espera, equipe estável). Avaliação: R$972.000.
O que salvou o valor de Cláudia: lista de espera (prova de demanda), equipe de 15 anos (continuidade), e alvará completo (muitas escolas operam irregulares). O que pesou contra: contrato de aluguel de só 2 anos e dependência da reputação pessoal da fundadora.
Valor de venda: R$1.020.000 (incluindo mobiliário pedagógico de R$48k).