Fernanda criou um e-commerce de cosméticos naturais em 2020. Começou no Instagram, migrou para Shopify, e hoje fatura R$80 mil por mês — R$960 mil por ano. Trabalha de casa com uma assistente. Sem estoque: usa dropshipping de um fabricante em SP.
Sem ponto, sem funcionários pesados, sem aluguel. O negócio parece valer muito. Mas "parecer" e "valer" são coisas diferentes no mundo digital.
Os números por trás
Margem de 16,9%. Boa para e-commerce. Mas o item que chama atenção é outro: R$192 mil por ano em tráfego pago. Vinte por cento do faturamento vai para Meta e Google. Se corta o tráfego, o faturamento desmorona.
O dilema do e-commerce sem marca
E-commerce que depende 100% de tráfego pago é um negócio de aluguel digital. Você não tem o cliente — você aluga o acesso a ele todo mês. Se o custo do aluguel sobe (e sobe todo ano), a margem encolhe.
Para o comprador, a pergunta é: se eu parar de investir R$16k por mês em ads, quanto vende? Se a resposta é "quase nada", o múltiplo cai. Muito.
EBITDA ajustado: R$162k + pró-labore excedente (R$5k × 12 = R$60k) = R$222.000.
Múltiplo: 3,5x (e-commerce sem marca forte, dependente de ads, sem recorrência).
Se tivesse lista de email com 30%+ de receita orgânica, o múltiplo seria 5-6x. A diferença: R$333k no valor final.
Avaliação: R$222k × 3,5 = R$777.000. Sem ativos físicos relevantes.
Valor de venda: R$777.000.
O que vale num e-commerce
Não é o site. Não é a Shopify. O que vale é: lista de clientes, taxa de recompra, presença orgânica e marca. Fernanda tem 42 mil seguidores no Instagram e uma lista de email de 8 mil contatos — isso tem valor. Mas 80% da receita ainda vem de ads.
Se ela construísse um blog com SEO (exatamente o que você está lendo agora), criasse conteúdo que gerasse tráfego orgânico, e aumentasse a taxa de recompra com um programa de assinatura mensal, o múltiplo subiria para 5-6x e o negócio passaria de R$1M.
Tráfego pago sustenta. Tráfego orgânico constrói valor.