Juliana comprou uma franquia de açaí em um shopping de Campinas em 2021. Investiu R$280 mil entre taxa de franquia, reforma e capital de giro. Quatro anos depois, com o contrato no meio do prazo, quer vender.
Fatura R$55 mil por mês. A pergunta parece simples: quanto vale? A resposta, em franquias, nunca é.
O que muda numa franquia
Diferente de um negócio independente, franquias têm custos recorrentes obrigatórios que comprimem a margem: royalties sobre faturamento (geralmente 5-8%), fundo de marketing (2-3%), e taxa de renovação no vencimento do contrato.
Resultado de R$61k por ano. R$5.100 por mês. De R$55k de faturamento mensal, sobram R$5k. Margem de 9,3%.
O contrato é o teto
Em franquia, o valor nunca pode exceder o retorno dentro do prazo restante do contrato. Se faltam 4 anos e o EBITDA ajustado é R$97k, o valor máximo teórico é R$388k. Nenhum comprador paga mais do que vai recuperar antes do contrato vencer — porque a renovação depende da franqueadora.
EBITDA ajustado: R$61.200 + pró-labore excedente (R$2k × 12 = R$24k) + taxa de adesão proporcional ao tempo restante (R$280k × 4/8 = R$140k amortizado) = R$97.200 de EBITDA operacional.
Múltiplo: 3,0x (franquia, contrato parcial, shopping com custo alto).
Avaliação: R$97.200 × 3,0 = R$291.600. Equipamentos: R$45k. Estoque: R$12k.
Valor de venda: R$348.600.
Juliana investiu R$280k. Quatro anos depois, o negócio vale R$349k. Retorno de 24,6% sobre o investimento — em quatro anos. Não é ruim. Mas está longe do que ela imaginava.
A lição das franquias
Franquias são negócios com teto. O teto é o contrato. Quanto menos tempo resta, menos vale — independente do faturamento. Se Juliana tivesse 8 anos de contrato pela frente em vez de 4, o valor seria R$480k, não R$349k.
Outro ponto: a franqueadora precisa aprovar a transferência. Isso adiciona risco e tempo ao processo, o que naturalmente comprime o preço.
Franquia é previsibilidade. Mas previsibilidade tem preço — e o preço é o teto no valor de saída.