Marcos comprou equipamentos de academia por R$200 mil em 2022. Esteiras, crossover, halteres, tudo de primeira. Quando decidiu vender o studio dois anos depois, fez a conta simples: "Só os equipamentos valem R$200k, então o negócio vale pelo menos R$400k."

O laudo apontou R$280k. Marcos ficou furioso. Mas a matemática não mente.

Por que equipamento não é avaliação

Equipamento de academia deprecia entre 15% e 25% ao ano. Os R$200k de 2022 valem R$120-130k em 2024 — preço de mercado para revenda, não preço de compra. E o comprador não está comprando equipamento. Está comprando fluxo de caixa.

Nenhum comprador paga preço de equipamento novo por equipamento usado. A esteira que custou R$18k nova vale R$10-12k usada, mesmo em perfeito estado. É o mercado de usados, não o de novos.

Com 95 alunos pagando R$180/mês (R$17k de faturamento) e custos de R$13k, o resultado era R$4k por mês — R$48k por ano. Múltiplo de 2,5x (poucos alunos, churn alto, sem contratos) = R$120k de avaliação. Equipamentos a R$130k. Sem dívidas.

Valor de venda: R$250k — arredondado para R$280k pelo potencial do ponto.

O erro de Marcos é comum: confundir custo de aquisição dos ativos com valor do negócio. São coisas diferentes. O negócio vale o que ele gera, não o que custou para montar.