Eduardo tem uma consultoria de TI em Campinas. Fatura R$55k por mês. Tira R$25 mil de pró-labore. Um gerente de TI no mercado ganha entre R$8 mil e R$12 mil.
Eduardo não é ganancioso — ele simplesmente tira do negócio o que precisa para viver. Mas na hora de avaliar, esses R$25k viram um problema.
A distorção no resultado
Com pró-labore de R$25k, o resultado operacional da consultoria é R$8k por mês — R$96k por ano. Múltiplo de 5x = R$480k de avaliação.
Mas se o pró-labore fosse normalizado para R$10k (mercado), o resultado sobe para R$23k por mês — R$276k por ano. Mesmo múltiplo de 5x = R$1.380.000.
A diferença: R$900 mil. O pró-labore inflado em R$15k por mês comprimiu o EBITDA e escondeu R$900k de valor. O negócio sempre valeu R$1,38M — mas os números contavam outra história.
Na DRE ajustada, o excedente de pró-labore é somado de volta. Todo avaliador faz isso. Mas o dono que não sabe disso pode aceitar uma oferta baixa achando que o negócio realmente só vale R$480k.
A lição: pró-labore alto não é problema para o dono. É problema para o valuation — e a solução é simples: ajustar para valor de mercado no cálculo.